sexta-feira, 20 de abril de 2012

SAÚDE

RN passa a ter exames para transplante
MARKSUEL FIGUEREDO
Da Redação de Natal

Uma esperança a mais para quem precisa de um transplante de medula óssea ou de órgãos sólidos. É que nesta semana o laboratório de Histocompatibilidade (HLA) do Hemocentro Dalton Cunha, Tirol (zona sul de Natal), foi credenciado junto ao Ministério da Saúde. Isso significa que a partir de agora o Rio Grande do Norte está habilitado a realizar esse tipo de exame. O credenciamento saiu através da portaria 317 de 16 de abril de 2012 e foi publicado no Diário Oficial da União.

O laboratório de HLA teve suas instalações físicas inauguradas em 2001, mas apenas em dezembro do ano passado é que foi colocado em caráter experimental. Com a habilitação para esse tipo de procedimento, já a partir da última segunda-feira, 16, o laboratório passou a realizar os exames. "Isso foi uma conquista muito importante para a saúde pública, porque desburocratiza todo o processo. Antes, o sangue do doador era colhido aqui e enviado para o Piauí para então ser feito o exame. Agora tudo se torna mais prático", diz a diretora geral do Hemonorte, Linete Rocha.

Com o Estado realizando esse tipo de procedimento, Linete acredita que o número de doadores no Rio Grande do Norte deve aumentar. Atualmente, são cerca de 35 mil voluntários inscritos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). "Esse número deve crescer e todo o trabalho é feito de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em parceria com a Central de Transplante, que funciona no Hospital Walfredo Gurgel".

Para ser doador, Linete lembra que a pessoa deve ter entre 18 e 55 anos, além de estar em boa saúde física. "É um procedimento simples. Nós colhemos 5ml de sangue do doador e fazemos o teste para identificar suas características genéticas. Em seguida, esses dados ficam armazenados no banco para serem cruzados com informações genéticas dos pacientes. Quando há compatibilidade, o doador é chamado para um novo exame, para então fazer a doação", explica.

O transplante de medula óssea é a única esperança de cura para quem é portador de aplasia medular e de alguns tipos de câncer, como a leucemia.
 
Não existe qualquer risco para o doador de medula óssea
 
A autorização do Hemonorte para a realização dos exames de HLA foi comemorada pelo Centro de Apoio à Criança com Câncer (GACC). "Agora podemos acelerar esse processo, e isso é muito importante para quem está em uma fila de espera, afinal para essa gente o tempo é vida", diz a coordenadora de desenvolvimento institucional do GACC, Natividade Passos.

Apesar de o Estado contar 35 mil voluntários no Redome, Natividade acredita que ainda falta muita divulgação na sociedade a respeito do exame de histocompatibilidade. "Temos que desmitificar o que se tem falado por aí sobre esse exame, afinal é coisa simples. Para se ter uma ideia, já ouvi gente formada achando que correria o risco de ficar paraplégico, caso fizesse a doação."

Foi o drama que a dona de casa Raimunda Lima de Souza, 27, enfrentou quando há cinco anos descobriu que a filha Jocielma Souza Bezerra, hoje com oito anos, tinha leucemia. Realizados os exames entre os familiares, descobriu-se que a irmã de Jocielma era compatível. "O problema é que o meu marido não queria deixar minha filha fazer o transplante. Tivemos até que entrar na Justiça para obter autorização. Ele achava que isso poderia trazer algum mal para minha filha doadora", conta.

Hoje, Jocielma enfrenta o segundo transplante, isso porque o câncer voltou em novembro do ano passado. "Fizemos novamente o transplante em janeiro, e agora ela se recupera aqui no GACC".

Mas Jocielma é um caso particular, como diz a própria mãe. "Graças a Deus, ela teve a sorte de ter uma irmã compatível, o que é muito difícil". Por isso, tanto o Hemonorte como o GACC reforçam as campanhas de doares de medula óssea.

defato.com

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